11.4.11

LANÇAMENTO VIGOR COMICS




Abre aspas.


Sucesso no teatro e no cinema a linguagem da Cia Vigor Mortis agora chega aos quadrinhos. Mas, antes de conclusões precipitadas, é necessário esclarecer que não se trata de adaptações das peças de seu repertório para as HQs, e, sim, de histórias inéditas com os personagens nelas surgidas. O livro Vigor Mortis Comics é uma união de forças dos quadrinistas José Aguiar & DW Ribatski com o dramaturgo e diretor Paulo Biscaia Filho, que será lançado nacionalmente no dia 16 de abril, às 19 horas, na Gibiteca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti 533 Informações: (41)3321-3250). Na ocasião acontece uma mesa redonda com os autores sobre o processo de criação da obra.

Aguiar, junto de Biscaia escreveram juntos oito HQs em que exploraram o universo dos personagens vindos do texto teatra.l No desenho Aguair se revezou com DW na exploração das possibilidades da arte seqüencial, apresentando diferentes soluções estéticas para cada narrativa. Todas repletas de violência, sexo, escapismo, terror e humor negro. São elas: “Oswald Apaixonado”, “Corra Cataléptico Corra”, “O Morto e a sombra”, “A Sombria Morte do Homem Sombra”, “Freddy in Wonderland”, “A Revanche do Morto”, “Ursula Unchained” e “Freddy in Wonderland”.

Aguiar explica que agora os quadrinhos são um meio de, ao mesmo tempo, levar adiante esse universo e apresentá-lo a quem nunca viu os espetáculos. “A ideia de transpor as peças escritas e dirigidas por Biscaia para as HQs surgiu quando José colaborei com a peça Graphic (indicada ao Troféu HQMIX e ao prêmio Shell) em 2007. Nela criei as artes do personagem Artie, um desenhista de quadrinhos frustrado também presente no livro. Nele também há personagens das peças Snuff Games e Garotas Vampiras não bebem vinho”.

A espinha central do projeto são os espetáculos Morgue Story – sangue, baiacu e quadrinhos (2004) eGraphic (2006). “Em ambos os textos há um personagem de quadrinhos que é parte integrante da vida dos personagens de cada peça: em Morgue Story temos Oswald, o Morto-Vivo, criação comercialmente bem-sucedida de Ana Argento; em Graphic temos o Homem-Sombra, personagem de Artie, ex-aluno frustrado de Ana”, conta Aguiar.

Em Vigor Mortis Comics, eles se depararam com personagens originários de outros espetáculos como: Snuff Games (2004) e Garotas Vampiras nunca bebem vinho(2007). No fim do processo, além dos temas caros à companhia teatral, também foram abordadas diferentes faces das histórias em quadrinhos: o profissional de sucesso, o aspirante e seu aprendizado.

Ao desenvolver o projeto Vigor Mortis Comics, com histórias desvinculadas dos textos originais das peças teatrais, Biscaia e José Aguiar criaram roteiros para um universo autônomo que, apesar de vinculado à contraparte teatral e fílmica dos personagens, permite outros vôos criativos que só seriam possíveis no suporte do papel. Esteticamente, a oposição de estilos de Aguiar e DW em Vigor Mortis Comics possibilitou um diálogo em que as soluções gráficas de ambos se completam, como atestou o artista multimídia Lourenço Mutarelli em sua análise da obra: “Gosto dessas HQs serem apresentadas em estilos tão diferentes quanto contrários. Gosto da forma como cada um escolhe e enquadra o objeto visual, distribui e arranja a narrativa, equilibrando a composição dos espelhos. Enquanto em cada plano-detalhe Aguiar procura enfatizar a narrativa, DW se aproxima da abstração em belíssimas composições. Enquanto DW esboça os personagens em pinceladas rápidas e aparentemente imprecisas, Aguiar, se esmera nos detalhes e cria massas vigorosas com seu poderoso claro-escuro. As histórias falam sobre essa solidão juvenil que só envelhece. Fico feliz em ver esses talentos reunidos produzindo uma HQ poderosa que encanta os olhos.”

Assim, fecha-se uma espiral multimídia em que o universo da companhia Vigor Mortis, que surge inspirado nos quadrinhos, torna-se peça teatral, é adaptada às telas e, por fim, transforma-se em uma de suas fontes: uma história em quadrinhos

Viabilizado através da Lei do Mecenato Municipal da FCC, o livro Vigor Mortis Comics é um projeto inédito em sua proposta. Depois do lançamento nacional em Curitiba os artistas seguirão para Sãp Paulo dia 21 de maio e para outras capitais divulgando seu trabalho. O livro Vigor Mortis Comics será distribuído nas principais livrarias e comic shops do país pela editora Zarabatana Books, numa realização de Quadrinhofilia Produções Artísticas.

Sobre os autores:

JOSÉ AGUIAR

Formado em Artes Plásticas pela Faculdade de Artes do Paraná, é ilustrador e quadrinista. Na Espanha, participou da coletânea Consecuèncias. Na França, da coletânea Flying Doctors - Un Jour de Mai onde ilustrou dois álbuns da série de aventura Ernie Adams, publicados por Editions Paquet. Em 2005 venceu o I Concurso Internacional de Quadrinhos do SENAC-SP. Alguns de seus álbuns de HQ são: Quadrinhofilia (HQM), trabalho pelo qual foi indicado, como melhor roteirista e desenhista no troféu HQMIX; A Revolta de Canudos (Escala Educacional) e Ato 5 (Quarto Mundo). Sua tira Folheteen, além de álbum (Devir), também foi publicada nos jornais Gazeta do Povo, Jornal do Estado e O Globo. Premiado pelo Goethe-Institut, criou o projeto Reisetagebuch- Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha. Atualmente os seus novos livros Folheteen - Direto ao Ponto e Reisetagebuch se encontram em fase de captação de recursos via Mecenato Municipal. Aguiar é também coordenador da GIBICON- Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, a ser realizada em julho.

PAULO BISCAIA FILHO

Mestre em Artes pela Royal Holloway University of London, estudioso do Théâtre du Grand Guignol, professor dos cursos de Teatro e Cinema da Faculdade de Artes do Paraná. Na Cia Vigor Mortis dirigiu montagens teatrais como Morgue Story (2004), vencedora do Troféu Gralha Azul de melhor diretor, texto original e sonoplastia. Entre outras peças, também dirigiu Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho, Snuff Games e Graphic (Troféu Gralha Azul de melhor espetáculo de 2006, direção e texto). Por Graphic, também foi indicado ao Prêmio Shell de melhor autor. Em 2009, lançou seu primeiro longa-metragem: Morgue Story, adaptação de sua peça de teatro, que percorreu mais de 30 festivais internacionais de cinema recebendo oito prêmios, como o de melhor filme de horror nos festivais Heart of England e Illinois International Film Festival.

DW RIBATSKI

Nasceu em Curitiba, em maio de 1982. Segundo ele, desenha e escreve quadrinhos desde os sete anos de idade, ou seja, nunca parou. Produziu centenas de páginas nunca publicadas oficialmente. A maior parte delas foi publicada em fanzines, durante a sua adolescência. Assumiu um estilo e gosto pela experimentação ao produzir histórias publicadas no site Nonaarte, por volta do ano 2000 (hoje em dia elas vêm sendo publicadas na revista Café Espacial). Atualmente, produz um álbum chamado Campo em Branco em parceria com Emilio Fraia, a ser publicado pela editora Cia das Letras em 2011, além de outros projetos como La Naturalesa, em parceria com Rafael Coutinho, a ser publicado pela editora Barba Negra, e Dois que será publicado na coleção Minitonto da editora Tonto.

Vigor Mortis

Em seus mais de 10 anos de carreira, a companhia Vigor Mortis sempre usou elementos como a perversão e o horror, com os temperos modernos da cultura pop e do humor. Especialmente através de referências explícitas da linguagem das HQs, à estética dos filmes de cineastas como Quentin Tarantino e Sam Raimi e às produções do cinema de suspense, terror e ficção científica trash das décadas de 70 e 80. Falando especificamente das referências oriundas das histórias em quadrinhos, podemos citar as revistas Kripta, cujas histórias inseriam o terror no cotidiano das pessoas comuns, e Dylan Dog, revista italiana de histórias em quadrinhos de terror, que mistura elementos do cinema e da literatura fantástica.

A obra dessa companhia é marcada pela intertextualidade e, também, pela hipertextualidade, já que este é um aspecto universal da obra literária, e porque não, de qualquer obra de arte. Podemos notar que o que ocorre com a obra da Vigor Mortis é, como define Gérard Genette, uma “operação de transformação”, tanto pelo eco das obras cinematográficas e pelos quadrinhos, que a servem de referência, quanto pelo próprio gênero, o Grand Guignol, revisto e reinterpretado pelo grupo a partir de um olhar contemporâneo.

Com a peça Morgue Story – sangue, baiacu e quadrinhos, que teve sua estréia em 2004, foi a primeira vez em que o trabalho de Biscaia estreitou laços com o universo das HQs tanto de maneira temática quanto estética. Esse espetáculo foi, em 2009, transformado num filme independente premiado internacionalmente.

O repertório das peças da Companhia Vigor Mortis gerou ao longo dos anos, de modo informal, um microcosmo onde os personagens da maioria dos espetáculos coexistem em citações, cenários ou nomes, como se houvesse um universo fictício que serve de lar a todos eles, ponto de partida para o projeto Vigor Mortis Comics, desenvolvido durante o ano de 2010.


Serviço:

Lançamento nacional de Vigor Mortis Comics.


Roteiros de José Aguiar e Paulo Biscaia Filho.

Desenhos de DW Ribatski e José Aguiar.


Editora Zarabatana Books (Formato 21cm x 28 cm, duas cores).


Sábado, dia 16 de abril, às 19 horas, com mesa redonda com os autores sobre o processo de criação do livro.

Local: Gibiteca de Curitiba - Centro Cultural Solar do Barão (Rua Carlos Cavalcanti 533 Informações: 3321-3250).

Entrada gratuita.


O livro estará à venda no local por R$ 30,00

A Obra não é recomendada para leitores menores de 16 anos



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OLÁ! Meu nome é DW RIBATSKI.

PARABÉNS SR. ARTISTA PROFISSIONAL!

Meu trabalho é um enfrentamento dos arquétipos que transcendem o limite da existência multisensorial como projeção do imaginário dentro da realidade espaço/temporal através da fragmentação do não-ser do não-lugar e do não-qualquercoisa que cria terminologias para que a essencialidade primitiva da metáfora alcance o objeto por interação seja ela manifestação sensória heterogêna ou rizomática. Para tanto a (re)criação do objeto como obsoleto supõe através da reflexão e possivel mediação processual a aproximação da produção de um conceito de trabalho que estimule de forma financeira a produção. Toda perfomance que contempla o horizonte objetivo do ser através de múltiplas poéticas randômicas de dicotomia é analisada pelo sensível êfemero que através do urbano contemporâneo sintetiza signos dentro do cotidiano das relações e analogia a paradigmas ainda que se sustente por princípios que sintetizam sua própria subjetividade inerente. Ao passo contempla-se relações cacofônicas de multisentidos em obstrução à algum tipo de ruído imersivo dentro da idéia de Chade Picaminha e Piazón Deboesta.


‎"(...) Eu só pensei que deveria estar fazendo música. Parecia pra mim que esse era o próximo passo depois da POP ART, entrar diretamente numa forma popular de cultura ao invés de comentá-la."
KIM GORDON